terça-feira, 10 de novembro de 2009

A QUEDA DO MURO... DO TI ALFREDO.

Era uma vez o ti Alfredo. O ti Alfredo era um simpático aldeão feliz com a sua singela vida. Tinha uma mulher que levava à missa aos domingos e ao hospital segunda-feira se o Benfica não ganhasse nesse dia, duas filhas muito cultas que seriam as melhores alunas da turma do 12º se por acaso tivessem hipótese de ter continuado a 4ª classe, um rafeiro-companheiro, um belo rebanhinho de ovelhas lindas que davam leite no Verão, lã no Inverno e carninha o ano inteiro e uma linda casa quadrada com vista para o monte e para o rio. Era aí que via passar os dias.
O ti Alfredo não tinha muito, nem tinha pouco. Tinha o que tinha e para ele chegava e nem sequer se ralava por ter mais nem menos. Vivia! Vivia como queria.
Até ao dia em que...
O senhor das estradas quis fazer um viaduto por trás da casa do Ti Alfredo. O senhor da rede elétrica quis pôr um belo poste de ferro ao lado da casa do Ti Alfredo e o Sr da Imobiliária adorava construir uma grande casa mesmo em frente à casa do Ti Alfredo. O Ti Alfredo viu as escavadoras a começar a trabalhar e ele não sabia sequer do que se tratava. Pelos vistos algum Sr-influente-que-assina-documentos-importantes tinha decidido por todos, até pelo Ti Alfredo.
Como o Ti Alfredo estavam igualmente descontentes as pessoas da sua aldeia, da sua região, do seu país, talvez do seu Mundo. Porquê? Porque todos tiveram os mesmos problemas. E todos estavam descontentes com os Muros que se iam erguendo à sua volta, que lhes tiravam a vista para o mundo e sobretudo, que ninguém soubera como vieram ali parar, nem tiveram tampouco culpa de tal. E as pessoas começam a ficar fartas disso. Quando as pessoas querem alguma coisa e se juntam para tal, não há volta a dar. Não há barra de ouro de tamanho algum que tire a vontade de falar de alguém que precisa de falar.
O Ti Alfredo até pode não ter conseguido derrubar a torre de ferro do senhor da rede eléctrica ou o viaduto do sr das estradas. Mas eles agora sabem que as pessoas já derrubaram muitos muros, e que se os quiserem erguer novamente, novamente eles cairão.
E as pessoas irão ajudar o Ti Alfredo. Deêm-lhes tempo... E marretas... Nunca uma chaimite pode vencer uma rebelião de marretas e paralelos, se o motivo que as move é a nobreza da Liberdade.
...há muito que não era criada uma história tão parola de índole esquerdista, mas hoje a minha alma centralona permitiu-me a delicadeza...

4 comentários:

Ivo Gonçalves disse...

Ainda duvidei, por momentos, que esta historieta fosse escrita por ti... Nao te cuides nao, qualquer dia dás por ti a idolatrar martelos e foices ou a gritar pelo francisco das loiças (este seria sem duvida um cenário 1000x pior)..

beijinho

Helena Borges disse...

mas a tua história parola de indole esquerdista está tão linda, pai...

Lua disse...

Isto mostra claramente a minha boa influência sobre este senhor! So proud=)

inês disse...

eu cá adorava ver-te com a foice e o martelo que, por sinal, te arrancaram muitos sorrisos naquele fim de semana;) o que te vale são as boas influencias sobre um espírito inteligente:)
beijinhos*