Abriu a época da caça ao Tremor de Terra das Antilhas.
Há uma semana foi o Haiti que se antecipou a esta corrida desenfreada e adquiriu por muito bom preço uma capital nova para o seu pobre país. Não estejam já a fazer frenéticos maus juízos de personalidade acerca desta minha observação. Ninguém merece que tal desgraça lhe caia à porta (esta literalidade foi involuntária). Eu já deixei de ver serviços noticiosos para não perder a vontade de almoçar/jantar. Acho que deveriam passar a informar os Telespectadores que às 13h e às 20h passa a sessão de cinema de terror com bola vermelha. Foi horrível. Foi chocante. Foi o que nunca devia ter sido. Mas foi...
Isto só vem demonstrar mais uma vez que contra a Mãe, nem eu, nem ninguém! (Que lindo Provérbio Popular acabei de criar agora!). Nós bem tentamos, mas o nosso efeito na adulteração de qualquer fenómeno natural é o mesmo que o efeito do Hélder Postiga na área adversária, ou seja, quanto muito atrapalhamos.
Há muito tempo que estudiosos Geólogos, de muito bom carácter como eu mas um pouco menos preguiçosos, tentam perceber estes fenómenos sísmicos. Tentam aturadamente compreender a sua génese (já relativamente bem compreendida) mas sobretudo algo que os consiga prever. Infelizmente, estamos a anos luz de poder fazer isso. Digo mais, acho que nunca o vamos conseguir. Infelizmente a pergunta que todos os jornalistas (esses senhores que sabem tudo sobre tudo) fazem quando à sismos continuará sem resposta. Quando alguém inventar uma máquina de raioX terrestre que monitorize todas as zonas susceptíveis e que faça uma imagem com pelo menos 700km de profundidade, aí sim, já dá. Mas não é fácil... Acho eu... E portanto o estudo directo dos sismos e a sua prevenção continuará a ser feito com vigas de betão na cabeça e apelos desinteressados da protecção civil respectivamente.
E nós? Bem que nos estamos a borrar para isto porque a ideia instalada é que em Portugal não acontece nada. E é verdade. Como nós só vivemos, se a coisa correr bem 80 anos, as pessoas passeiam na Baixa Pombalina de Lisboa alegremente, e adoram a organização estrutural dos edifícios e as casas direitinhas. Pois é pessoas, agradeçam à falha transformante Açores-Mediterrâneo e ao choro dos vossos avós que viveram em 1755 essa bonita arquitetura. Se esse sismo não tivesse acontecido, hoje em dia havia Alfama do Castelo à Bica. Era desagradável não era? Pois, mas a desgraça de uns é a alegria de outros e quem ganhou com isso fomos nós que agora vivemos numa cidade muito mais funcional, que o desgraçado do Sebastião Conde de Oeiras nos fez, do que seria se não tivesse ruído uma vez. Não foi só uma vez mas essa foi a última Grande Vez. E sabem que mais? A falha que nos deu esta Nova Lisboa à umas semanas disse-nos um olá de 6.0 Richter mas felizmente foi longe o suficiente para chegar cá só o pó. Mas historicamente sabe-se que manda Igrejas abaixo em períodos de aproximadamente 250 anos. Foi em 1755, estamos em 2010. Mais IVA, menos contribuição autárquica. Noves fora, nada. Pois é... é só fazer as contas...
Quem cá não quer estar quando esse dia chegar sei eu quem é. E quanto mais rápido me pirar, melhor.
Quem cá não quer estar quando esse dia chegar sei eu quem é. E quanto mais rápido me pirar, melhor. E para não dizerem que eu não me preocupo convosco amigos recomendo que não fujam para a California (que para além do Extreminador Implacável tem e terrível Falha de Santo André), nem para o Japão (esses não precisam de despertador que acordam todos os dias com um 5.5 ou à volta disso). Chile também só se for ir e vir. Digo-vos que de Torres Novas para cima estamos à vontade. É pedra dura, abana menos.