Manuel António Gomes de Almeida de Pinho tornou-se o meu mais recente caso de admiração política, se bem que estes casos sejam muito raros desde El Rei Dom Dinis, O Lavrador. O seu bovino gesto teve em mim um efeito tal que me fez renascer a esperança na Assembleia da República e nos seus funcionários, esse local estéril de boas intensões e inóspito para a opinão pública mas que não deixa de ser a principal praça da nossa democracia.
Nascido no dia XXVIII do mês de Outubro do ano da graça de MCMLIV, Manuel Pinho desde cedo mostrou grande vocação académica, precusro que culminou com o Doutoramento em Economia por uma Universidade Parisiense. Invejável também a sua carreira profissional. Foi Professor Universitário no ISEG da Madragoa, economista na sede do FMI em Washington (lá deve ser Madragon Boulevard) e Administrador do Grupo Espírito Santo principalmente no que à banca diz respeito. Fez também parte do conselho de administração do Banco Central Europeu.
Pois bem... Depois de percurso respeitável pelo sector privado, apeteceu a este senhor ser Funcionário Público. Nada contra. Continuo eu próprio a pedir muito nas minhas preces uma cadeira confortável num qualquer gabinete camarário. Mas pergunto-me eu, "Manel era mesmo estritamente necessário ir trabalhar directamente com o Sr Engenheiro-Desenhador? Ias para o Banco de Portugal, ou para os Impostos, ganhavas mais e preocupavas-te menos...". Mas não, foi para Ministro e eu fartei-me de falar mal do senhor, como de todos os outros, excepto o do MNE que no fundo só precisa de saber línguas (Inês, foi uma dica). Até nem se portou terrívelmente mal, mas como sou doutra Religião tenho de tratar os Infiéis todos mais ou menos da mesma forma.
Mas, eis que de um momento para o outro, tudo muda, e tudo volta a fazer sentido num Homem que nos deu tanto (também tirou, talvez mais ainda). Bastou um debate do estado da nação para eu fazer dele, desde ali, um Ídolo para o futuro, a imitar como quem imita o Cristiano Ronaldo a dar toques na bola ou a correr atrás de saias pequeninas.
Senão vejamos, três razões para o meu ponto de vista.
1º - e óbvia razão, saíu do Governo Cor-de-Rosinha-Fofa. Sair do convívio do Sr Engenheiro-Desenhador (se é que ele sabe o que convívio é...) é sempre de salutar. De volta à Liberdade que tantas dores de cabeça nos custou e tantas musicas do Zeca Afonso nos fez ouvir.
2º - O gesto foi dirigido à Bancada "Vermelha" (perdoa-me Maria Inês, e os restantes amigos camaradas, gosto muito de vocês).
3º - e mais importante, Manuel Pinho mostrou ali que não gosta de fandango nem de tango nem de samba nem de pimba. Pinho é, isso sim, um grande Fã, tal como eu, dos "Monstros Sagrados do Rock": AC-DC.


Se porventura Manuel não tivesse a grande admiração que todos nós temos por Angus Young, então para quê aquela parelha de indicadores esticados no topo da cabeça direcionados para Bernardino Soares, a cantarolar "You're on the Highway to Hell", quando claramente poederia ter simplesmente elevado a mão direita, esticar o dedo central e recolher todos os outros? Não. Fez-se questão de determinar imediatamente ali, com aquele gesto, o destino imediato dos dois intervinientes da situação. Bernardino Soares para o Inferno, Manuel Pinho para a CGD! Ou para a Galp. Ou para a EDP. Ou para qualquer outra entidade público-semi-privada de Portugal. Incrivel, não é?!
Isto revela muito da identidade deste individuo, que para todos os efeitos ganhou elevação e notoriedade pública. Melhor ou pior, não interessa. Força Pinho!